Bem,
É chegada a minha hora.
Talvez isso não represente nada pra vocês, mas hoje, pra mim, representa em muito. Foram mais de três anos dedicados, suados, lutados, recompensados. Entrei um por uma porta e saio outro pela mesma. Não há de ser diferente com ninguém.
Aprendi tanta coisa trabalhando aqui que nem sei se lembro como eu era. Antes um pouco mais magro, mais medroso, mais cego. Hoje, com um pouco mais de barriga e um tanto de experiência...
Muita gente passou por mim, ficaram e ficam as que de certa maneira são pra ficar. Todas, de alguma maneira, serão lembradas. Espero ficar na lembrança de outras tantas. Seja das crianças ou das pessoas com que trabalhei.
Errei, e muito! Mas não foi por maldade não. Rezo pra que tenha acertado em igual proporção. Tanto nas ações burocráticas, quanto com as pessoas.
Contribuir com esse projeto foi como circular entre céu e inferno. De dias quentes de sol a invernos absurdos, e não só como metáfora falo isso. Mas valeu, e muito, a pena. Valeu pelo resultado do trabalho, pela equipe, pelos almoços maravilhosos que comi e que ouvi, por ter entrado num mundo mais infantil, mais leve, menos corrompido. Por ter conhecidos novos companheiros de trabalho, por ter aprendido outras maneiras de se trabalhar, por descobrir dons pessoais, por desenvolver outros. Por aprender a ouvir e escutar, por aprender (um pouco) a falar. Valeu pela alegria de estar perto de gente agradabilíssima! E por tentar conviver com a diferença. O que é muito difícil e que terei que tentar aprender um pouco mais.
Por vezes, acho que aprendi mais trabalhando do que as próprias crianças. Mas só o que vem pela frente poderá confirmar isso.
Aproveitando-me de Vinícius, "tudo de amor que existe em mim foi dado/ tudo que fala em mim de amor foi dito".
Deixo um beijo a todos e um adeus já saudoso.
André Luiz da Costa Valim
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
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